Meu nome é Marcos, sou colaborador da Paróquia Santa Generosa há oito anos, e quero partilhar a história do meu filho, Paulo Henrique. Em 2014, quando eu e minha esposa ainda éramos namorados, ela trabalhava em um abrigo que acolhia crianças com dificuldades familiares e situações de abandono. Foi ali que nossas vidas começaram a se entrelaçar com a história do Paulo.
Ele havia nascido prematuro, de seis meses. Sua mãe sofreu um AVC decorrente do uso de drogas, teve uma parada cardíaca e entrou em coma vegetativo. A família optou por cuidar dela, mas não assumiu o bebê. O padrasto ficou com a filha mais velha, Paulo permaneceu no hospital. Ele passou seu primeiro ano de vida internado; tinha uma malformação neurológica, não se alimentava pela boca e recebia alimentação por meio de uma sonda na barriga. Quando completou um ano, precisou ser encaminhado a um abrigo — justamente o abrigo onde minha esposa trabalhava.
Por necessitar de cuidados especiais, ela foi ao hospital aprender tudo o que seria necessário: como alimentá-lo, manusear os equipamentos, cuidar dele, etc. Paulo praticamente só movia os olhos e o pescoço. No dia em que chegou ao abrigo, o local havia acabado de ser pintado. Por causa dos seus problemas respiratórios, não poderia permanecer ali naquela noite. Como minha esposa morava em frente, levou-o para sua casa temporariamente, até que o ambiente estivesse adequado. Foi nesse gesto simples que tudo começou…
Na época, eu ainda não morava com ela. Conheci o Paulo pelas chamadas de vídeo; pequeno, frágil, mas cheio de vida. O primeiro vínculo foi entre ele e minha esposa; depois percebemos que também eu já não conseguia ficar distante. Tornamo-nos padrinhos afetivos, então todas as sextas-feiras o buscávamos; ocasião que passava o fim de semana conosco. Aos domingos, era preciso levá-lo de volta ao abrigo, e esse momento era sempre doloroso… Ele escondia sua pequena mala para não precisar ir embora. Ainda hoje, ao recordar, a emoção permanece.
O abrigo foi transferido para o Belenzinho, e continuamos indo buscá-lo, atravessando a cidade. Paulo enfrentou muitas crises de saúde. Houve uma ocasião em que ficou gravemente doente, a ponto de quase não resistir. Foi internado no Hospital Cândido Fontoura, e não me permitiram vê-lo naquele estado, pois diziam que eu não suportaria. Ele estava muito frágil, mas Deus escreve histórias maiores do que os nossos medos. Paulo sobreviveu…
Após esse episódio, fomos chamados pela juíza. Precisávamos tomar uma decisão: assumir definitivamente o Paulo ou permitir que fosse encaminhado para adoção. Em nosso coração, a resposta já estava dada – ele já era nosso filho. Em 2018, no fórum, recebemos a guarda definitiva. Lembro-me claramente daquele momento: chamaram o Paulo, e ele, pequeno, caminhava trazendo debaixo do braço uma caixa de sapato com seus remédios e, na outra mão, uma sacola simples com suas roupas. Era tudo o que possuía. Ali começava oficialmente nossa família.
Com a guarda, pudemos oferecer a ele todos os cuidados necessários: cirurgias, acompanhamento médico e aparelho auditivo. Paulo aprendeu a se alimentar pela boca, aprendeu a falar. O menino que nunca havia comido sem sonda, hoje se alimenta normalmente. Hoje, está na sétima série, é um dos melhores alunos da sala, é coroinha. Seu jeito de amar, de tratar as pessoas e de se relacionar com todos é algo que ultrapassa qualquer medida.
Sou profundamente grato a Deus pela vida do Paulo Henrique. Sua história é, para nós, testemunho de que o amor transforma, sustenta e faz florescer aquilo que parecia impossível.
Marcos Antonio Cruz Silva
