A vida de Ana Lis – carinhosamente chamada de Aninha – é marcada por muitos desafios, mas também de muita resiliência e fé. Desde muito cedo, sua saúde inspirava cuidados; e, aos dois anos, foi diagnosticada com duas síndromes raras e graves: tricohepato entérica e autoinflamatória. No que diz respeito à primeira, o prognóstico foi de apenas cinco anos de vida, segundo a pouca literatura encontrada na época.
Os primeiros cinco anos foram quase todos vividos dentro de hospitais. Entre consultas, exames e longas internações, ela e eu, sua mãe, enfrentamos dias e noites de luta em São Paulo, longe da família que permaneceu em Pernambuco. A ausência do meu filho e a distância de todos amigos e familiares só aumentavam o peso do que podíamos chamar de “nossa cruz”. Uma das fases mais difíceis aconteceu em uma internação prolongada, pouco tempo depois de Aninha completar cinco anos. O quadro de saúde era delicado e a permanência no hospital exigia grande esforço. Eu e Aninha estivemos sozinhas nos 10 meses que durou aquela internação, sem ninguém para revezar ou oferecer suporte, sustentadas apenas pela incansável força que Aninha fazia para se manter bem.
Foi nesse tempo de fragilidade e solidão que Deus começou a falar mais forte ao meu coração e, enfim, resolvi “abrir a porta do coração”. Um chamado que vinha de longa data encontrou, naquela noite escura, o momento de resposta. Foi ali, no leito do hospital, que decidi ir à fé católica e entregar minha filha aos cuidados de Deus, reconhecendo que só Ele poderia sustentar a todos nós.
A partir de então, a fé se tornou o eixo da vida da minha vida, de Aninha e, aos poucos, de toda a nossa família. Em 2022, aos seis anos, Aninha recebeu o Batismo e, no mesmo ano, a Primeira Eucaristia. Passou a testemunhar com simplicidade a presença de Deus em sua vida, dizendo: “Abraço a cruz porque nela está Jesus. É o amor que me mantém sempre junto, mostrando que Deus está em tudo e sabe exatamente o que precisamos.”
Hoje, Aninha vive sem aparelhos, sem medicações e livre dos limites que antes era dependente, graças a uma graça recebida pela intercessão de Nossa Senhora Rainha da Paz. Sua vida é prova viva de que Deus, com apenas uma palavra ou um gesto, pode transformar completamente uma história.
E, agora, como ela mesma diz, sua missão é testemunhar: “Quando abraço a cruz, encontro a vitória, e é ela que quero testemunhar.”
Ana Carolina (mãe de Aninha)
ORAÇÃO
Jesus e Nossa Senhora, obrigada por tudo o que acontece na nossa vida: pelas coisas boas que nos deixam felizes e, também, pelas difíceis. Ensina-nos a sempre dizer “sim” a Deus, mesmo quando não entendemos. Ajuda-nos a confiar que o Senhor sempre sabe o que é melhor, nunca erra e nunca nos deixa sozinhos. Dai-nos uma fé grande, porque primeiramente precisamos acreditar, em seguida vem o milagre.
(Adaptação de uma oração espontânea de Ana Lis.)
