Contar a minha história, a minha experiência, sempre me comove. Ao reviver o que me aconteceu, percebo o tamanho do amor de Deus por mim, pela minha família, pelos meus amigos e por todos que, de alguma forma, caminham ao meu lado.
Sou casada, mãe de três lindos filhos, dentista por profissão e, mais do que tudo, apaixonadíssima por Cristo. Essa paixão começou na infância. Sempre foi muito clara, para mim, a realidade desse relacionamento com Ele — um relacionamento que, ao longo da vida, só cresce.
Jesus é exigente com seus amigos: Ele quer perseverança nos desafios e nas provações. Como dizia Santa Teresa d’Ávila:
“Se é assim que tratas teus amigos, não me admira que tenhas tão poucos.”
São poucos os amigos, mas Ele é sempre fiel a eles. Nunca os abandona, nunca os deixa sozinhos. E foi exatamente isso que experimentei nos últimos tempos.
Há nove anos, recebi o diagnóstico de câncer de mama. Para mim, aquele diagnóstico não foi uma sentença de morte, mas uma grande oportunidade de aprofundar ainda mais essa amizade. Naquele período, vivi uma proximidade tão grande com Cristo, que transformou a minha forma de viver e entender a vida. Foi uma experiência belíssima de amor.
O tempo passou e, neste ano, recebi um novo diagnóstico: outro tumor, diferente do primeiro, na outra mama — mais intenso e mais agressivo. E a pergunta surgiu imediatamente:
“Por quê? Será que não aprendi o que precisava aprender?”
Não tenho as respostas… Talvez eu nunca as tenha. Mas escolhi acreditar que Ele faria novamente coisas grandes, como fez pela primeira vez. Ele me ama — um amor incondicional — e seria impossível que permitisse algo que fosse para o meu mal.
Ainda estou em tratamento, mas posso afirmar com toda certeza: confiar nesse amor nos faz enfrentar qualquer desafio, mesmo sem entender os motivos. Mesmo quando sentimos que não temos chão para dar o próximo passo, o amor d’Ele e a nossa confiança se tornam esse chão.
É assim que tenho vivido este novo diagnóstico: com a certeza de que tudo é para a minha salvação e para a salvação do mundo.
E, ao tentar contar tudo isso, só consigo pensar na frase que disse quando escrevi meu relato:
“É como tentar colocar o mar numa xícara de café. Eu não consigo…”. Mas o que cabe aqui, eu ofereço, com fé, esperança e entrega.
Daniela Giusti Kim
