PALAVRA DO PÁROCO: “E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá” (Jo 11, 26)

Sempre me impressionam os encontros cotidianos com pessoas que estão diante da morte, seja na UTI, em cuidados paliativos ou após o falecimento, quando encomendo o corpo de alguém. Muitas vezes, os familiares chamam o sacerdote quando o paciente está em estado terminal, às vezes, entubado, ou em cuidados paliativos. Outras vezes encontro pessoas conscientes que sofrem intensamente, e sempre penso que aquela dor não pode ser em vão, deve ter alguma utilidade para a salvação do mundo. Por isso, com frequência, convido essas pessoas a oferecerem o próprio sofrimento pela salvação de suas famílias e do mundo inteiro.

É preciso uma fé imensa para suportar tamanha dor. Sinto-me profundamente comovido diante daqueles que, mesmo sofrendo, vivem esses momentos com grande serenidade. Então me pergunto: será que eu suportaria tanto sofrimento? Sinceramente, não me sinto preparado, mas admiro a graça que Deus concede a essas almas. O sofrimento dos pequeninos que lutam pela vida em uma incubadora e o das mães que os acompanham é, para mim, um grande mistério inscrito no desígnio divino.

Quando vou a um velório para encomendar o corpo de alguém, costumo proclamar o Evangelho de João sobre a ressurreição de Lázaro. Encantam-me as palavras de Jesus a Marta: “Teu irmão ressuscitará” (Jo 11, 23). E, diante da fé de Marta na ressurreição no último dia, Jesus lhe declara: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisso?” (Jo 11, 25-26).

Penso continuamente nesse poder que Cristo concede aos que creem nele: o poder de vencer a morte. Os que morreram na fé, creio firmemente, agora vivem no Céu — uns já participando plenamente da glória de Deus, como parte da Igreja triunfante; outros, ainda se purificando no Purgatório, como membros da Igreja padecente, a caminho da mesma glória. Creio profundamente na fé da Igreja e na Comunhão dos Santos, onde há um verdadeiro intercâmbio de bens espirituais entre os que estão no Céu, na Terra e no Purgatório. Os que já alcançaram a glória podem interceder por nós, assim como nós podemos interceder pelos que ainda se purificam.

Para mim, a fé é um grande consolo: todos os que acreditam em Cristo estão vivos. Por isso, não devemos nos entristecer demasiadamente com nossos queridos falecidos que partiram para a glória, pois cumpriram a missão que Deus lhes confiou. E nós, que ainda peregrinamos na Terra, somos ajudados e acompanhados por aqueles que já se encontram na presença do Pai. Nossa missão é permanecer unidos a Cristo neste mundo, carregando dores, sofrimentos e alegrias, e experimentando, já aqui, uma antecipação daquilo que viveremos plenamente no Céu.

Todos nós somos chamados a ser companheiros de caminhada rumo a Cristo, que preenche a nossa vida com a vida divina. Certamente, a amizade em Cristo — seja entre os irmãos no sacerdócio, seja com os fiéis que o Senhor nos confia — é uma antecipação do que acontecerá na eternidade. Somos chamados a viver, todos juntos, uma comunhão orientada ao nosso destino: a eternidade na glória de Deus.

Pe. Cássio Carvalho – novembro de 2025.

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