PALAVRA DO PÁROCO: “Eu vos anuncio uma grande notícia: nasceu para vós o Salvador” (Lc, 2, 10)

O Natal é a maior notícia da história da humanidade, pois Deus, que fez o universo e todas as coisas e criaturas, resolveu enviar ao mundo o Seu próprio Filho, para que, nascendo em forma humana do seio da Virgem Maria, salvasse o homem da corrupção do pecado e se estabelecesse entre nós.

A humanidade, que andava nas trevas, viu uma grande luz. O homem, que procurava a felicidade nas coisas criadas por Deus, não conseguia chegar ao seu Criador por meio delas, apesar de seu imenso esforço.

Limitado, o ser humano, por mais que se esforce em ligar o efêmero ao eterno, não consegue chegar por conta própria à felicidade plena. O Padre Luigi Giussani, fundador do Movimento Católico de Comunhão e Libertação, defende que ser cristão é reconhecer que Deus já veio ao nosso encontro e está presente no meio de nós. Cristianismo é convivência com Deus. E exemplifica:

“Imaginemos que o mundo seja uma imensa planície, na qual inúmeros grupos humanos, sob a direção de seus engenheiros e arquitetos, se esforcem, com os mais disparados projetos, para construir pontes de milhares de arcos para ligar a Terra ao Céu, o lugar efêmero de sua morada à “estrela” do destino. A planície está repleta de um número incontável de canteiros de obras, onde se desenvolve um trabalho febril. Num determinado momento, chega um homem que abraça com o olhar todo aquele intenso trabalho de construção e, a certa altura, diz: “Parem!”. Aos poucos, todos, a começar pelos mais próximos, suspendem o trabalho e passam a olhar para o homem. Ele diz: “Vocês são grandes e nobres, o esforço de vocês é sublime, mas também triste, porque não é possível que vocês consigam construir a estrada que une a terra ao mistério último. Abandonem os seus projetos, deixem suas ferramentas: o destino teve compaixão de vocês; sigam-me, eu construirei a ponte: eu, na verdade, sou o destino”.

Todas as religiões tiveram seus profetas, mas nenhum deles teve a ousadia de se identificar com Deus como o fez Jesus. É a primeira e única vez que um homem se identifica com Deus, não como um profeta, que nada mais é que um intermediário e não fala por si, mas em nome de Deus.

Jesus nos diz: “Eu e o Pai somos um” (Lc 10, 30); “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9); “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por mim.” (Jo 14, 6). É este mesmo Jesus que nos chegou no Natal há exatos 2025 anos – um fato histórico tão importante, que o tempo começou de novo a ser contado a partir da Sua vinda.

Agora, como cristãos que somos, não caminhamos sozinhos para o nosso destino, para a nossa felicidade, que é Deus! Pelo incomensurável amor de Deus pelos homens, Cristo, que nasceu da Virgem Maria, padeceu, morreu crucificado e ressuscitou ao terceiro dia, e o Espírito Santo paráclito por Ele enviado, são a nossa companhia para alcançarmos a plenitude da vida que o Pai prometeu a cada um de nós. Deus veio morar entre nós, e nós vimos e testemunhamos a sua glória. Isto é o Natal!

Pe. Cássio Carvalho – dezembro de 2025.

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