PALAVRA DO PÁROCO: Santa Generosa, a nossa querida mártir

Julho é o mês da nossa Padroeira, Santa Generosa. No dia 17, celebra-se o martírio desta santa tão querida da Igreja. Embora seja de pouca fama, pois existem apenas duas igrejas a ela dedicadas – uma na cidade de Pontes, na Itália, e a nossa, no bairro do Paraíso, em São Paulo –, os relatos do seu martírio com onze companheiros (sete homens e quatro mulheres) foram de grande importância para os primeiros cristãos, repercutindo ainda nos dias de hoje.

Não se sabe muito sobre a vida de Generosa. Sabe-se apenas que, no século II, ela e seus companheiros foram entregues às autoridades judiciárias por serem cristãos. Eles não tinham nenhum projeto revolucionário. Cumpriam com suas obrigações civis e pagavam os impostos devidos ao imperador; apenas se recusaram a lhe prestar culto.

O diálogo do procônsul Saturnino com seis dos onze que compareceram à sala de audiências em Scili, pequena província romana do norte da África, não muito distante da capital Cartago, no verão de 180 d.C., é o único documento conhecido sobre o fato.

O procônsul Saturnino, que conduzia o processo, estava disposto a conceder-lhes indulgência, livrando-os da condenação à morte se se curvassem à divindade do imperador Cômodo, renunciassem à fé cristã e aderissem à religião romana. Ele só não contava com tamanha convicção e bravura, profundo conhecimento das Sagradas Escrituras, radicalidade da fé e disposição daqueles cristãos de entregar a vida por Jesus Cristo.

As atas mostram partes do diálogo entre Saturnino e alguns dos processados.

Um deles, Esperato, disse: “Não reconheço o império deste mundo, mas sou um servo daquele Deus, a quem nenhum homem jamais viu nem pode ver com os olhos. Não cometi nenhum furto, e quando compro alguma coisa, pago o imposto, porque conheço meu Senhor e Imperador dos reis de todas as nações”.

O procônsul Saturnino insistiu com todos: “Abandonem esta persuasão”, mas Esperato rebateu: “Má persuasão é cometer assassinato, dar falso testemunho.” Saturnino continuou: “Não quero compartilhar esta loucura”. Citino refutou: “Não tememos senão ao Senhor nosso Deus que está nos Céus”. Donata acrescentou: “Honra a César como a César, mas temor somente a Deus”. Véstia complementou: “Eu sou cristã”. Secunda endossou: “O que eu sou, isso eu quero ser”. O procônsul Saturnino voltou-se para Esperato: “Você persevera em ser cristão?”, ao que Esperato respondeu: “Eu sou cristão.” – e com ele todos concordaram.

Determinado, o procônsul insistiu com Esperato: “Você não quer algum tempo para reflexão?” E ouviu como resposta: “Numa coisa tão justa não há razão para mudar de opinião”. E, assim, em 17 de julho do ano 180, em Cartago, atual Tunísia, esses doze mártires foram decapitados por não terem prestado culto ao imperador Cômodo.

(Extraído do livro “Santa Generosa, Virgem e mártir – Breve biografia”, de Padre Vittorio Saraceno, SSP (org), à venda na secretaria da paróquia.)

Talvez não seja exigido de nós o martírio por testemunharmos nossa adesão ao único Imperador, Senhor dos Céus, embora ainda hoje muitos sejam levados à morte e perseguidos pelo simples fato de serem cristãos. Se não nos é imposto tal sacrifício, qual o testemunho que nós, padres e leigos, devemos dar senão o de vivermos o dia a dia na certeza da presença de Deus, levando-o, pelo exemplo e pelo apostolado, a quem não O conhece e vive afastado de sua graça?

A Paróquia de Santa Generosa busca testemunhar seu amor e fidelidade a Cristo, mantendo-se das 7h às 22h com as portas abertas, de forma a conceder a vida divina a todos os fiéis através dos sacramentos, instituídos e confiados à Igreja pelo próprio Cristo, como sinais eficazes dessa mesma graça. Em nossa Paróquia, são celebradas seis missas de segunda a sexta, quatro aos sábados e dez aos domingos. São nove horas de confissões na semana e quinze aos domingos, quando chegamos a atender entre quinhentas e setecentas pessoas.

Este ano, vamos comemorar nossa querida Padroeira no seu dia, 17 de julho, com seis missas e seis procissões, além de confissões das 8h às 20h. Teremos também a tradicional Festa de Santa Generosa de Todas as Nações nos dias 25, 26 e 27 de julho (na Rua Tomás Carvalhal).

Seja como participante, seja como voluntário, marque na agenda e venha fazer parte de mais esta grande experiência cristã, um encontro cultural com músicas, danças e comidas típicas de vários países. A Festa da nossa Padroeira é momento de estreitar o convívio na nossa comunidade e uma forma de testemunhar para toda a cidade de São Paulo a alegria da fé, a alegria de ser cristão!

Padre Cássio Carvalho – junho 2025.

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