Servidores do Altar: servos do Mistério e alunos na escola de virtudes

Quem se aproxima do altar do Senhor toca o coração espiritual da Igreja. Não é à toa que desde os primeiros séculos sempre houve aqueles que, escolhidos e preparados, auxiliavam os ministros ordenados na liturgia. No espaço sagrado do presbitério, onde o céu e a terra se encontram, os servidores do altar não são meros ajudantes, mas testemunhas silenciosas de um belíssimo milagre de amor: Deus que se faz presente no pão e no vinho.

Quando um jovem veste a túnica e segura uma vela, uma cruz ou um turíbulo, ele não apenas cumpre uma função, mas ele se insere no drama divino que se desenrola a cada Santa Missa. Na liturgia, cada gesto tem um peso eterno. A vela acesa não é só luz: é Cristo que ilumina as trevas. O incenso que sobe não é apenas perfume: é a oração da Igreja que se eleva ao céu. O sino que toca não é apenas som: é o anúncio de que algo maior que o mundo está acontecendo diante dos nossos olhos. E é o coroinha quem, com humildade e atenção, empresta suas mãos e sua disciplina para que tudo isso aconteça com dignidade e beleza.

Na vida paroquial, a presença dos servidores do altar é um sinal da ação do Espírito, sinal de vida, eles coroam o altar do Senhor. Onde há coroinhas, há juventude próxima do Senhor. Onde há juventude próxima do Senhor, há esperança para a Igreja.

O serviço do altar é uma escola discreta, mas profunda. Ali o jovem aprende a valorizar o silêncio, a perceber o sagrado, a obedecer e a servir. Descobre que a verdadeira grandeza não está em ser visto, mas em estar disponível. E ao mesmo tempo, cresce em virtudes humanas: pontualidade, responsabilidade, capacidade de trabalho em equipe, descrição, disponibilidade para o serviço.

Quantas amizades sólidas e virtuosas nascem ao redor do altar! Quantos jovens descobrem ali uma fé mais viva, um amor mais puro, um desejo mais sincero de buscar a Deus! E quantos, ao se aproximarem do altar, começam a sentir no coração a inquietação de uma possível vocação sacerdotal ou religiosa! Não é raro que um futuro padre tenha começado sua caminhada justamente ali, segurando uma vela e olhando para o cálice com olhos cheios de encanto.

Para o padre, a pastoral dos coroinhas é mais do que uma necessidade organizativa para o deserrolar da vida liturgia da comunidade: é um, antes de tudo, um investimento espiritual.

A cada formação, a cada gesto de atenção e zelo, a cada conversa com esses jovens, semeia-se no coração deles um amor que pode frutificar por toda a vida. Hoje, eles ajudam na Missa; amanhã, poderão ser catequistas, músicos, ministros, líderes comunitários. E quem sabe, alguns, chamados pela graça, tornar-se-ão sacerdotes ou consagrados, perpetuando o serviço iniciado no altar.

Como dizia Fulton Sheen, “ao pé da cruz sempre há jovens corações”. O altar é uma extensão da cruz. Quem aprende a permanecer ali, aprende também a permanecer fiel a Cristo em todos os momentos da vida.

Os servidores do altar são um presente para a Igreja e um sinal da ação silenciosa e fecunda do Espírito Santo. A pastoral dos coroinhas não é apenas uma atividade, uma coisa a mais dentro da comunidade, é uma escola de virtudes cristãs. Ali se aprende a humildade de João Batista, que servia preparando o caminho; a generosidade de Maria, que se colocou à disposição dizendo “Eis-me aqui”; a coragem de São Tarcísio, padroeiro dos coroinhas, que preferiu dar a vida a deixar que a Eucaristia fosse profanada.

Formar servidores do altar é formar cristãos que compreendem que a vida só tem sentido quando se torna serviço a Deus e ao próximo. É formar jovens que aprenderão que a beleza do altar pode se prolongar na beleza de suas próprias vidas.

Quando olhamos para um coroinha, não vemos apenas um jovem de túnica branca e vermelha. Vemos um servidor do mistério, um aprendiz do sagrado, um aluno da maior escola que existe: a escola das virtudes que brotam do altar de Cristo.

Pe. Alysson Carvalho

Vigário paroquial

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