Em homenagem à Ritinha, neste dia de pesar pelo seu falecimento, republicamos um artigo escrito por ela sobre a forma como Deus conduziu a sua vida em seus últimos anos, e o papel do Pe. Cássio e da Paróquia Santa Generosa nessa caminhada.
A vida, por vezes, nos coloca diante de caminhos inesperados. Quando desembarquei no Brasil para uma simples consulta médica, jamais poderia imaginar que essa breve visita se transformaria em uma permanência sem volta. Comigo, apenas uma mala de mão, poucas roupas e a presença vital de minha mãe e de Deus. Esses foram os pilares que sustentaram meus primeiros passos nessa nova realidade.
Os dias se tornaram capítulos de uma narrativa marcada pela luta contra uma doença crônica. No início, a batalha parecia restrita a quatro personagens: eu, minha mãe, a enfermidade e Deus. Em cada oração, suplicávamos não apenas pela cura, mas por companhias que pudesse nos ajudar em meio à solidão hospitalar.
Foi então que o Senhor atendeu ao mais íntimo dos meus anseios. Deu-me novamente o amor da minha vida: Jesus Eucarístico. Através da coragem e sensibilidade do Padre Cássio, que em plena pandemia atravessou as barreiras do hospital, recebi não apenas uma bênção, mas a presença real de Cristo no Sacramento. Não era uma visita comum: era o próprio Céu que descia ao meu leito.
Esse encontro marcou um divisor de águas. Ao receber Jesus, reacendeu-se em mim o amor profundo pela Eucaristia, mas também nasceu um vínculo novo com a vida e com a paróquia que O trouxe até mim. Aquela comunidade tornou-se parte inseparável da minha história. Os ministros da Eucaristia passaram a ser visitantes frequentes, trazendo não apenas o Corpo de Cristo, mas também consolo humano, amizade e sustento em momentos difíceis.
A pandemia, que isolou tantos, para mim se tornou palco da Providência Divina. Cada visita com Jesus era também um abraço de Deus, uma ponta de esperança no meio da dor.
Hoje reconheço que nada foi acaso. Deus transformou fragilidade em encontro, solidão em comunhão e desespero em testemunho. O pároco, a paróquia, os ministros – todos se tornaram parte dos meus contos do Céu. Porque, no fundo, o que sustenta minha alma em meio à doença não é apenas o cuidado humano, mas o reencontro com o amor da minha vida, Jesus Eucarístico: sempre fiel, sempre presente. E também o amor pela vida que reacendeu em meio a um cenário que só me levava a crer no contrário. Obrigada, Senhor! Obrigada, Santa Generosa! Obrigada, Padre Cássio! Obrigada, paroquianos!
ORAÇÃO FINAL
Senhor Jesus Eucarístico, amor da minha vida, obrigada por não me deixares só em meio à dor. Através da Tua Igreja, dos Sacerdotes, Sacramentos e de cada ministro, Tu vieste ao meu encontro, como o Céu que toca a terra. Ensina-me a viver cada dia em gratidão, a amar a Tua presença acima de tudo, e a transformar sofrimento em esperança. Que a minha vida, mesmo frágil e breve, seja testemunho do Teu amor que não abandona. Amém!
Setembro de 2025 – Rita Ephrem
