Livro eterniza o legado de fé e esperança da jovem ‘Ritinha’

Fernando Geronazzo, 28 de maio de 2026 | “O São Paulo”

Em um momento marcado pela emoção, saudade e gratidão, amigos, familiares, admiradores e pessoas to­cadas pelo testemunho de Rita Ray­mond Ephrem se reuniram, no dia 20, no Auditório Paulo Apóstolo, das Irmãs Paulinas, na Vila Mariana, para o lançamento do livro “Você Não Conhece os Planos do Meu Deus”. A obra, concluída pouco antes do fale­cimento da autora, aos 32 anos, em 26 de março, tornou-se um testemu­nho definitivo da fé, da perseverança e da esperança que marcaram a vida da jovem conhecida carinhosamente como Ritinha.

O encontro foi uma verdadeira cele­bração da memória de Ritinha. Em meio às homenagens e recordações, também houve forte manifestação de solidarieda­de à mãe da autora, Leila Massaad, que, emocionada, agradeceu o apoio recebi­do desde a partida da filha.

Familiares e amigos recordaram a forma como Ritinha transformou o sofrimento em missão. Desde os 4 anos de idade convivendo com uma síndrome autoinflamatória ultrarra­ra, ainda desconhecida pela ciência, ela enfrentou inúmeras internações, tromboses, acidentes vasculares cere­brais, meningites, intubações e dores constantes. Ainda assim, recusou-se a permitir que a enfermidade definisse sua existência.

Em um trecho da apresentação da obra, destaca-se que “é impossível permanecer indiferente à história da Ritinha”. O texto recorda que, mesmo diante de sucessivos episódios clínicos graves, ela “escolheu viver com inten­sidade”, dedicando-se aos estudos, ao esporte, ao trabalho e à evangelização.

Filha de família libanesa, Ritinha viveu entre o Brasil e o Líbano. Es­tudou Engenharia Mecatrônica com ênfase em robótica, integrou a seleção libanesa de futsal e tornou-se uma in­fluente voz católica nas redes sociais.

UMA EVANGELIZAÇÃO NASCIDA DA DOR

Leila Massaad, mãe de Ritinha (Luciney Martins | “O São Paulo”).

Durante os testemunhos apresen­tados no lançamento, foi frequente­mente recordado que Ritinha ajudou milhares de pessoas – especialmente jovens – a compreenderem o sentido cristão do sofrimento. Por meio de suas redes sociais, nas quais reunia centenas de milhares de seguidores, ela transformou o próprio leito hospi­talar em espaço de evangelização, par­tilhando reflexões sobre fé, esperança e abandono à vontade de Deus.

Em suas publicações, insistia na necessidade de unir os sofrimentos pessoais à Paixão de Cristo, ofere­cendo as dores pela santificação dos sacerdotes e pela conversão dos pe­cadores. Essa espiritualidade, profun­damente marcada pela confiança em Deus e pelo amor à Igreja, tornou-se uma das marcas mais fortes de seu apostolado digital.

Mesmo nos períodos mais críticos de saúde, Ritinha continuava escre­vendo, gravando mensagens e res­pondendo a pessoas que buscavam nela conforto espiritual. Muitos dos que foram ao lançamento do livro re­lataram que encontraram forças para enfrentar doenças, lutos e crises pes­soais ao acompanhar os testemunhos dela na internet.

OFERTA A DEUS

Com 192 páginas, o livro é um re­lato autobiográfico profundo e direto, no qual Ritinha compartilha as dores e aprendizados de sua trajetória. Ela aborda temas como a difícil busca de um diagnóstico, obtido apenas aos 23 anos após um sequenciamento genéti­co completo, o sofrimento provocado pela incompreensão médica durante a infância e adolescência e o caminho espiritual de reconciliação familiar.

O livro também evidencia a trans­formação interior vivida após sua con­versão aos 16 anos. Antes distante da fé, Ritinha passou a compreender sua dor à luz da experiência cristã e encon­trou, na relação com Deus, um novo sentido para o sofrimento.

Essa espiritualidade atravessa toda a narrativa. Em um dos trechos do li­vro, ela afirma: “Eu perdi, falando em coisas vitais, tudo, mas eu entendi que a doença não pode tirar a minha felici­dade e a minha vida, pois a minha vida está baseada na minha alma e a minha alma está baseada em um Deus vivo”.

‘VOCAÇÃO PARA A VIDA’

Arquivo pessoal.

O prefácio da obra foi escrito pelo Padre Cássio Carvalho, Pároco da Pa­róquia Santa Generosa, no Paraíso, que acompanhou Ritinha nos momen­tos finais de sua vida e desenvolveu com ela uma profunda amizade espiri­tual. No texto, o Sacerdote afirma que encontrá-la foi “uma das experiências mais marcantes” de sua vida e descre­ve a jovem como alguém que possuía “vocação para a vida”.

“Ritinha consegue transformar dor em alegria, sofrimento em esperança, tristeza em coragem”, escreveu Padre Cássio, que também recordou a pro­funda devoção da jovem à Eucaristia. Segundo seu relato, durante a primeira visita ao hospital, Ritinha pediu que pudesse receber diariamente “o Amor da sua vida”, referindo-se à Sagrada Comunhão.

Para adquirir o livro, acesse: https://livrodaritinha.com.br.

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