Vivemos em um mundo que valoriza uma mentalidade de sucesso baseada nos critérios humanos. A inteligência costuma ser medida pelos conhecimentos adquiridos, pela capacidade de produzir resultados, de manipular a realidade e de conquistar reconhecimento. Muitas vezes, essa busca acontece movida apenas por interesses profanos, sem qualquer relação com o divino.
Diante dessa realidade, recordo-me sempre das palavras de Jesus:
“Eu te louvo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11, 25).
Existe uma sabedoria que não se aprende apenas nos livros nem nas grandes escolas. Ela nasce da convivência diária com Deus, da vida simples, da oração, da capacidade de reconhecer sua presença nas pequenas coisas. É a sabedoria dos pequeninos.
Às vezes imagino que Jesus poderia ter escolhido um caminho completamente diferente. Poderia ter frequentado as melhores escolas judaicas de sua época, tornar-se um doutor da lei ou um respeitado fariseu. Humanamente falando, talvez esse fosse o caminho mais fácil para conquistar credibilidade diante do povo e ser reconhecido como o Messias.
Entretanto, Jesus escolheu outro caminho: permaneceu por cerca de trinta anos em Nazaré, trabalhando na oficina de São José, crescendo na companhia de Maria e vivendo uma existência escondida. Aos olhos do mundo, era apenas o filho do carpinteiro. De Nazaré, diziam, não poderia vir o Messias. Ainda assim, foi justamente nessa vida simples e silenciosa que Deus preparou a manifestação do Salvador.
Os critérios de Deus são diferentes dos critérios do mundo. Enquanto os homens procuram prestígio, Deus olha para o coração. Enquanto buscamos reconhecimento, Deus nos ensina o valor da humildade, da obediência e fidelidade no cotidiano.
Essa continua sendo também a missão da Igreja: ajudar cada pessoa a permanecer aberta ao mistério de Deus e aprender essa sabedoria divina.
Penso, por exemplo, na Catequese Bom Pastor, destinada às crianças de três a doze anos. Desde muito pequenas, elas são conduzidas a entrar na amizade com Jesus, o Bom Pastor, por meio de uma catequese centrada no relacionamento amoroso com Cristo e na descoberta dos mistérios da fé.
Penso também nos Pequeninos do Senhor, que acompanham as crianças durante a Santa Missa, explicando o Evangelho com simplicidade, por meio de imagens, desenhos e linguagem acessível. É uma maneira de despertar, desde cedo, o desejo de estar na presença de Deus e de participar da vida da Igreja.
Vivemos em um mundo profundamente marcado pelo ambiente virtual e, pouco a pouco, corremos o risco de esquecer que Deus continua se comunicando através do humano. Por isso é tão importante fazer parte de uma comunidade, um lugar onde podemos experimentar concretamente a presença de Deus por meio dos sacramentos, da oração e da convivência fraterna.
É, nesse sentido, que nossa Paróquia procura viver sua missão. Valorizamos profundamente a Eucaristia, celebrada diariamente em diversas Missas; o sacramento da Reconciliação, com doze horas diárias de confissões; e o cuidado com os enfermos, por meio da assistência espiritual prestada nos oito hospitais atendidos por nossa Paróquia.
Tudo isso existe porque acreditamos que Deus continua formando seus filhos através da vida concreta da Igreja. Queremos compreender os mistérios da vida e descobrir, todos os dias, a beleza daquilo que Jesus deseja nos revelar. Queremos, como Nossa Senhora, guardar todas essas coisas no coração e contemplar os sinais de Deus no cotidiano. Somos chamados a ser eternos aprendizes deste Deus maravilhoso, que continua se revelando nas pequenas e grandes experiências da nossa vida.
Que nunca deixemos de pedir ao Senhor o coração dos pequeninos, pois é a eles que Deus continua revelando os mistérios do seu Reino.
Padre Cássio Carvalho – agosto de 2026.
