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PALAVRA DO PÁROCO: Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!

Maria, diante da Cruz de seu Filho, recebeu uma ordem: “Mulher, eis aí o teu filho”. Em seguida, Jesus diz a João: “Eis aí a tua mãe” (Jo 19, 26-27). Ali, ao pé da Cruz, se cria um novo laço de amor e cuidado mútuo que simboliza a nova família espiritual dos cristãos. Em seus últimos instantes de vida terrena, Jesus estabelece uma nova relação familiar e espiritual entre Maria e a humanidade, personificada pela pessoa do discípulo que Ele amava. Suas palavras são interpretadas como a instituição de Maria como Mãe da Igreja e de todos os discípulos, estendendo sua maternidade espiritual a toda a humanidade redimida por Cristo Jesus.

Maria não se cansa de interceder por nós. Seu cuidado para com todos pode ser observado na maneira como Ela tem se manifestado ao mundo ao longo da História. Há sempre um sentido para o mundo ou para o povo do lugar onde se dá cada aparição ou intervenção sua. E os impactos de sua intercessão são impressionantes!

Tomemos o ano de 1571, quando os mulçumanos estavam prontos para atacar e destruir a Europa com um exército muitas vezes superior ao exército da Liga Santa (Estados Pontifícios, Espanha, Veneza e Gênova). A invocação à Mãe de Deus se fez necessária e todos sentiram na batalha de Lepanto a presença desta Senhora, que protegeu e garantiu a vitória do Papa São Pio V e da cristandade, para mais um período de paz.

Outra intervenção extraordinária se deu em 1531, no México, em um momento de forte tensão religiosa entre o mundo pré-hispânico e a nova fé cristã imposta pelos espanhóis; o país vivia um período de violência, exploração e violação da dignidade humana dos povos indígenas (nahuas, astecas e outros). A grande maioria deles resistia à fé cristã; os missionários notavam que muitos convertidos continuavam secretamente praticando os antigos ritos de sua religião politeísta tradicional, envolvendo o culto ao Sol, à Lua, às estrelas e a diversas divindades.

Nesse contexto de transição religiosa difícil, a Virgem aparece ao índio recém-batizado Juan Diego (Dieguito) falando náuatle (a língua dos astecas). Identifica-se como “Mãe do verdadeiro Deus” e pede a construção de uma igreja. Cético, o arcebispo Juan de Zumárraga pede um sinal, e a Senhora manda que Dieguito lhe entregue um manto rústico de fibras de agave. Ao desdobrar o manto, rosas frescas caem em cascata ao chão, e a imagem da Virgem fica milagrosamente impressa no tecido. As rosas eram de uma espécie nativa da Espanha (região de Castela), portanto impossíveis de serem colhidas no México.

A aparição da Virgem de Guadalupe foi o ponto de virada para a evangelização: nos sete anos seguintes (1532-1538), estima-se que mais de 8 milhões de indígenas se converteram ao catolicismo, e os sacrifícios humanos e os cultos nativos foram gradualmente abandonados.

Falemos de nossa querida Senhora de Aparecida. Sua devoção teve origem num fato aparentemente simples: a visita de Dom Pedro Miguel de Almeida Portugal, o Conde de Assumar, governador das capitanias de São Paulo e Minas Gerais, que, em outubro de 1717, passaria pela Vila de Guaratinguetá a caminho de Vila Rica, hoje Ouro Preto.

Para honrar o ilustre visitante, a Câmara da vila convocou os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves, a fim de garantir peixes para o banquete. Não era temporada de pesca, e as horas se arrastaram sem uma única captura. Foi então que, no ponto onde hoje fica o município de Aparecida, João Alves arremessou a rede e sentiu um peso estranho. Ao içá-la, retirou da água o corpo de uma imagem de barro, sem a cabeça. Sem hesitar, lançou a rede mais uma vez, e, dessa vez, a cabeça veio à tona. Encaixou-se perfeitamente, revelando a figura de Nossa Senhora da Imaculada Conceição.

Foi, então, que o rio se abriu em bênção: as redes seguintes vieram tão cheias de peixes que os pescadores temeram que a canoa virasse. Acontecia ali o primeiro milagre sob a intercessão da santa que, por ter “aparecido” nas águas, ganhou o nome de Aparecida.

A imagem foi levada para a casa de Filipe Pedroso, onde durante cerca de 15 anos os vizinhos se reuniam para rezar novenas e pedir graças. A devoção crescia e, por volta de 1734, o vigário de Guaratinguetá mandou erguer uma capela no alto do Morro dos Coqueiros, que foi aberta à visitação pública em 26 de julho de 1745.

Com o aumento contínuo dos romeiros, o pequeno templo tornou-se insuficiente. Em 1844, decidiu-se demolir a capela e construir uma igreja maior; as obras começaram em 1845. O novo templo – a atual Basílica Velha – foi solenemente inaugurado em 24 de junho de 1888, por Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, bispo de São Paulo.

A atual Basílica foi iniciada em 11 de novembro de 1955 e consagrada pelo Papa João Paulo II em 04 de julho de 1980. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil declarou a Basílica de Aparecida Santuário Nacional.

Mas a grande curiosidade é que a imagem – que se escureceu por se expor à queima de velas por muitos anos, tornando-se preta –, é o símbolo de um País que tenta viver uma fé que supere a divisão entre as raças. É assim o Brasil: por intercessão da Mãe Aparecida, um exemplo para o mundo da mistura de vários povos.

Que Nossa Senhora Aparecida proteja esta Nação Brasileira para continuar professando a fé em seu Filho Jesus.

Padre Cássio Carvalho – outubro de 2026.

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