PALAVRA DO PÁROCO: Viva nossa mãe da Terra e nossa Mãe do Céu!

É um grande mistério a vocação que Deus deu à mulher no seu plano salvador. Para salvar a criatura humana, Deus resolveu vir ao mundo e nascer humanamente de uma mulher. Ele poderia vir pronto, sem precisar de ninguém, mas quis que o sangue de uma mulher corresse em suas veias de filho, e preparou a Virgem Maria para recebê-lo.

Quis o Salvador do mundo nascer em uma família, ser amamentado por Nossa Senhora e receber a proteção de um homem. Do humilde São José, aprendeu o ofício de carpinteiro, tanto que ficou conhecido em Nazaré como “o filho do carpinteiro”. Quis submeter-se às ordens de Seu pai e Sua mãe, como relata a Sagrada Escritura. Sob os cuidados de Maria e José, o menino “crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52).

Imaginemos o carinho, o cuidado e a ternura com que Maria cuidou de Jesus até a idade de trinta anos, quando, então, Ele começou a Sua missão, e começou com o “empurrão” de Maria nas Bodas de Caná da Galileia. A pedido da própria mãe, Jesus transforma a água em vinho, o milagre que dá início à Sua vida pública. A partir daquele momento, começou-se a contar o tempo para a realização da Sua obra redentora, culminando na Sua paixão e morte de cruz. Naquela festa de casamento, o “filho do carpinteiro” passou a revelar a Sua identidade de Filho do Altíssimo, e os discípulos creram n’Ele.

Maria é o exemplo perfeito da vocação de uma mãe que dá a vida a (e por) seus filhos. Quando, do alto da Cruz, diz “Mulher, eis aí o teu filho”; e a João: “Eis aí a tua mãe”, Jesus entrega a Maria uma humanidade inteira, e lhe dá uma nova missão: acompanhar a todos nós, especialmente em momentos de dor, de sofrimento, de angústia. Jesus é o Filho primogênito de Maria, não porque ela tivesse outros filhos, mas porque depois de Jesus viemos todos nós. Jesus é o nosso irmão mais velho. Depois d’Ele e a pedido d’Ele, também nós somos todos filhos de Maria. A Mãe de Deus é nossa Mãe por vontade e por ordem divina!

Em breve vamos celebrar mais um Dia das Mães, sabendo que muitas delas, como Maria, perderam seus filhos. Que dor deve sentir uma mãe que dá a vida aos filhos e os têm separados de si por mortes prematuras! Não tenho dúvidas de que é como uma espada a transpassar suas almas!

Como não me lembrar de Da. Leila, que em menos de seis meses perdeu dois de seus filhos, Charbel e Ritinha? Ou de Da. Alice, mãe de seis filhos, que perdeu o pequeno Luca com dez anos de idade? Hoje, ela conduz com muita serenidade um grupo de mães que viram seus filhos prematuramente partirem para a eternidade, ajudando-as na compreensão desse grande mistério!

De nossas mães, aprendemos tudo na vida: falar, andar, amar nossos irmãos, nos defender… Geralmente são elas que nos ensinam a rezar; com elas aprendemos sobre o amor incondicional que Deus tem por nós. Além de nos carregarem por nove meses no ventre, elas perdem muitas noites de sono quando somos pequenos e, muitas vezes, quando ainda grandes… Mães são criaturas que nunca tiram férias e estão sempre a postos, disponíveis.

Imagino que Deus tenha feito as mães de algum material muito especial, pois só isso explica a profunda ligação que conseguem ter com os filhos, algo quase como o amor divino, afinal, mesmo que uma mulher abandonasse o fruto de seu ventre, Deus nunca abandonaria os seus filhos, como está dito em Isaias (49, 15-16). Observe a comparação do amor inabalável de Deus ao amor de mãe, justamente o maior amor possível no mundo, e levanta uma hipótese, pois sabe que uma mãe seria incapaz de abandonar o fruto de seu ventre.

Imaginemos o quanto nós, católicos, que amamos Nossa Senhora, somos agraciados já nesta vida… Temos uma mãe na Terra e outra no Céu, e mesmo que a nossa mãe da Terra de algum modo falhasse em sua missão de nos acompanhar e proteger, a nossa Mãe do Céu nunca falharia.

Parabéns às mães que têm como espelho a Virgem Maria em sua grande missão de acompanhar seus filhos nesta caminhada rumo ao Céu! Parabéns também às mães que têm plena confiança na misericórdia divina e sabem que seus filhos que já partiram estão certamente no Céu, estreitados ao peito de Maria, a Mãe de Deus e nossa também!

Padre Cássio Carvalho – maio de 2026.

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